Mundo de Um Só

Onde fica o meu mundo, se não cerro o olhar?
Onde fica o meu canto, se não cesso o escutar?
Castigam-me pelo isolamento,
Mas fascinam o seu aproveitamento:
A minha poesia,
Arte e melancolia.

E quão sou feliz quando não sou ninguém
E sou eu mesmo, por poder ser alguém;
Quando não me dizem quem ser,
Opinam o meu dever,
A minha poesia,
Arte e melancolia.

Conheço-me melhor, sendo um estranho para estranhos,
Sem guiões, conversas feitas e tais engenhos.
Assim, a espetativa matou o artista,
A fraqueza acabou com o humorista,
Com a minha poesia,
Arte e melancolia.

Entreguem-me a mim mesmo, mesmo que não seja seguro,
Pois tenho em mim a força de Berlim e de um muro,
Para não deixar a estranheza morrer,
E nunca ouvir o meu dever.
E fazer a minha poesia,
Arte e melancolia.