1
Já fui castelos e
muralhas,
Fogueiras e
acendalhas,
Heróis de batalhas.
Agora, incendiáveis
mortalhas,
Descosidas malhas,
Bagunças e tralhas.
2
A tua maldade imunda
tratou de me informar
De todos os meus
defeitos, os que nunca pensei aceitar.
Não são palavras que
falas, são facas que apontas,
Usa-la em guerras de
sangue de inúmeras mortes que contas.
Agradeço-te por me
matares,
Ensinaste-me a viver.
Tantas foram as
noites que dormi com a tua opinião destrutiva,
Falava comigo, mutilava-me
e consumia-me, incompreensiva.
Mas que posso eu
fazer quando me tiram de mim?
Não sou mais eu
quando me dão o meu fim.
Agradeço-te por te
cuidares
Com o que me fez
morrer.
3
Já fui castelos e
torres,
Esperanças e amores,
Vitórias e louvores.
E, na perda de mim
mesmo, encontrei as dores,
Nelas, revi jardins e
flores,
E castelos voltei
ser, pois não há preto sem cores.