Não Se Percam

Confundo o que sou com o que me contam
Vejo-me em cada dedo que apontam.
Rodeado de gente, sou infinito
Sozinho, desesperadamente perdido.

Confundo o que sou com o que amo,
Quis largar tudo para me conhecer, mas coragem não tenho.
E por conhecer demasiado, não me conheço a mim
Perdi-me em traços alheios e sem fim.

Confundo pessoas com anjos, por pouco pensar,
Penso que são demónios, quando não consigo parar.
A minha solidão vê família em cada estranho.
O meu desespero diz-me que amigos não tenho.

Confundo o desconhecido pelo sabido,
E de tanto conhecer, confundo o confundido.
É uma confusão não saber quem sou,
Mas talvez eu seja a confusão que disto restou.