1
Um procurar
incessante de um lar,
Sem nunca o conhecer.
Um sonhar de conforto
sem nunca confortar,
Por medo de me
perder.
Mas perdido vim a
nascer,
Condenado a um nunca
pertencer.
Uma mente mais
viajada que o físico,
Um organismo mecânico
quase tísico.
2
Romances escrevi na
esperança de livre vir a ser,
Mas prendi-me a um prisão
constante de me perder.
Pois a realidade é
castigo para quem sabe sonhar,
É um saber demais
para quem deseja ignorar.
Dizem que a verdade
não merece castigo,
Convido-vos a
partilhar a minha alma comigo.
Pois a mentira é um
berço, se me der conhecimento
Desse lar que tanto procuro
sem esclarecimento.
3
Uma nómada felicidade,
Que não se conhece.
Três tragos de
animalidade,
Para quem lar não
merece.
Uma saudade indomável
De um lugar
incodificável.
Uma alma identificável,
Selvagem,
indomesticável...