Ode do Homem

O Homem, feito pelo Homem em si,
E herdeiro do direito de ser Homem,
Que é condenado pelo Homem à miséria,
Por um sistema criado pelo Homem.

O Homem, que vê o Homem em si,
Lamenta a sua fome, de gula acorrentada.

O Homem, criador da palavra ‘’hipocrisia’’,
Lastima o pobre, de riqueza garantida.

O Homem, supérfluo pelo que fez do mundo,
Olha para baixo para o Homem que defende,
Ou que lhe convém defender, pelo supérfluo mundo que fez,
Para que o Homem o adore da mesma maneira.

O Homem que endivida o Homem,
Endividado à cordialidade,
Paga-lhe caprichos roubados àquele
A quem a cordialidade deve.

O Homem, que é igual ao Homem,
Mastiga o chão que o Homem pisa, por amor,
O Homem escraviza-se pelo Homem no mesmo espírito
Pelo qual se apaixona por ele.
Por um vergar esperançoso de ser erguido.

O Homem acorrentado ao Homem por chamada paixão,
Siameses de vingança.

Perdoem a minha repetição, mas o Homem é Homem.
Incrivelmente igual ao Homem que cria.
Voluntariamente condenado pelo Homem que pensa comandar.

Perdoem a minha repetição, mas não Homem que não seja Homem.
E não há designação para Homem,
Que não seja Homem, em si.

E perdoem a minha repetição,
Mas não perdoem o Homem
Que não perdoar o Homem.