O meu caos derrubado no meu tumultuoso futuro:
Água e azeite juntamente separados por um muro.
E toda a minha vida me senti destinadamente perdido,
Sem um agradar feliz, esperado e compreendido.
O meu caos denuncia-me.
Um desespero confia-me.
Destrói-me, construindo-me.
Esclarece-me, confundindo-me.
A minha alma destilada num cosmos desorganizado:
Um mistério humano sem um aparente resultado.
E toda a minha vida achei feliz procurar paz em mim,
Fui satisfeito enquanto desejei ser livre assim.
A minha alma algema-me,
Acorrenta-me, condena-me.
Não sou eu, sou o que ela é.
Não tenho rumo, chão, fé.
A minha felicidade numa mera possibilidade remota:
Um futuro cantado pela ganância e sua frota.
E toda a minha vida que vivi sem saber o que ser.
Sem saber se um dia a minha vontade saberei dizer.
A minha felicidade numa censura.
Corromperam-me a vontade pura
Por ser desleal a um sistema social
Com o qual não senso ser fraternal.
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Francisco Miguens é escritor e designer audiovisual. Trabalha como designer de comunicação em Lisboa e é a mente por detrás da Mente Sedada.