O Homem odeia a sua origem por ser desconhecida,
Amaldiçoada, imutável e esquecida.
Odeia Deus por ser um superior,
Tímido imperador.
O Homem odeia o estranho por ser ciência alheia –
Um judeu enganador na última ceia.
Odeia a morte por ser descrente
Do seu poder omnisciente.
E tanto ódio por filhos da mesma mãe, irmãos umbilicais,
Filhos da Natureza e de naturezas chamadas marginais.
Filhos da mesma mãe e paridos do mesmo conceber
Num universo que não sabemos conhecer.
Batizados na mesma chuva gelada,
Numa tempestade odiada.
O Homem ignora a singela herança que lhe foi deixada:
A irmandade com toda a coisa por ele cobiçada.
Ignora que nunca se conhece um irmão,
Por ser criado pela mesma mão.