A minha mãe, que seria professora toda a vida,
E o seu ensinar, que brota do seu
ensino, e do ensino desse ensino,
Quebraria os quadris da
ignorância do seu auditório.
Mas o inesperado ócio ingeriu o mundo como uma epidemia
E dos oceanos de matéria – que é
engenho da mente humana;
Da crosta retórica – que é arma
crucial,
Restou solitariamente a inércia orgânica
de um cosmos.
Ergueram-se os epidémicos com cabeças feitas de monitores,
E pupilas azuis de eletricidade,
E mãos cansadas de tanto criar –
Esses membros que deram quando defenderam ideais purgatórios,
Ergueram-nos, em praça pública, sobre o céu que procuravam
alcançar e gritaram
‘’O’ doce liberdade’’, por
palavras que não eram suas.
O sangue e o suor nos sete mares
Pelo anseio de chegar a um futuro que não nos foi dado,
Mas que é nosso para reclamar.
Os músculos e as veias no amontoar das terras,
Pelo esforço de queimar os milénios com motores a carvão.
Os livros rasgados pelas florestas,
Pela sua inutilidade e alienação desnecessária –
Por haver liberdade de escolher a realidade,
Ou por haver a realidade de escolher a liberdade
E não o fazer.
Por haver liberdade de colocar monitores na cabeça e ser
gado para a ignorância.
Ingerir o que é afirmado
conhecimento comestível
E negar a lição ideal de não
negar o demais.
Porque os tronos do não-saber têm
o conforto de veludo.
Por haver liberdade de desprezar as lições,
Ser num auditório um fantasma,
enquanto os ensinamentos são decretados,
E expandir-me para os monitores
com luzes néon.
Porque a história ofereceu ao mundo a liberdade,
Mas não lhe ensinou como a usar.
Epílogo
E assim ficou a esfera de crosta e mar.
E os quadris da ignorância nunca quebraram,
E a minha mãe não foi mais professora;
Mas, toda a vida, foi uma retórica
sem auditório.