Cidade de Alguém

1
O jardim do teu cérebro embelezado pelo choro da saudade,
Hidratado, absorvido e observado pela nossa cumplicidade.
E eu nunca gostei de ser a cimentada verdade –
Aquela que vai embora sem responsabilidade.

As explicações, deixei-as para quando histórias tiver para contar,
As razões, dispensei-as do fardo de serem percebidas para encantar.
E tu nunca gostaste de abraçar o corpo nu da solidão –
Aquela que fica com o seio das lágrimas na mão.

2
O meu coração psicadélico acelerado no teu peito aveludado;
A minha visão turva no teu olhar de soldado.
O que pensas quando o meu cérebro está desligado,
Se somos um no mesmo corpo perfumado?
Em que dimensão estás, quando eu estou a alucinar?,
Porque o álcool acabou nas veias deste desesperar,
E a razão perdeu forma nesta forma de te esperar.
Quem são os teus pés, quando eu não sei caminhar?
Porque tudo o que me ensinaram foi a voar.

E quem és tu, se eu não sou ninguém?
Porque o meu nome é vão, nesta cidade de alguém.

3
v o l t a r e i, amor.