1
As cidades dormem sozinhas,
Dormem umas com as outras,
Fazem amor com as vizinhas.
As cidades não dormem porque pensam,
Dormem porque sonham,
Fazem rimas para passar o tempo.
2
As cidades não correm para o trabalho,
Lêem um livro,
Disfarçam lágrimas no orvalho.
As cidades não mentem aos professores,
Não têm de ser doutores,
Disfarçam a dor nos homens felizes.
3
As cidades estão só no meu pensar,
Estão despertas a desesperar,
Fazem bolhas de sabão com o chorar.
As cidades são cansaço,
São embarasso,
Fazem escolhas por mero acaso.
4
As cidades sou eu,
O que escolheu
Sonhar porque adormeceu.
As cidades são este serão,
São não saber quem são,
Sonhar com bolhas de sabão.