Dois Irmãos

1
O Homem chegado ao lugar mais lindo do universo,
Reproduziu-se aos sons do jazz mais controverso.
A Mulher fértil de duas crias sem idioma ou direção,
Deu-lhes os dois nomes de Igreja e Corrupção.

A Igreja, sempre aluada, desenhava histórias na pele
E usava o corpo como prova para quem a seguisse.
A Corrupção, sempre atenta, roubava às abelhas o mel
E usava-o para que fome nunca sentisse.

2
A Mulher e o Homem ofereceram-lhes a educação
Distribuída de igual por peso de coração.
E, assim, sempre procuraram no mundo a mesma desilusão,
Para que sobre ela falassem com grande poder de argumentação.

Percorreram o mundo na sua irmandade colonial
E conquistaram-no nos períodos de implosão abismal.
Foram aplaudidos nos anfiteatros da amargura,
E santificados nos hospitais sem cura.

Amavam-se pelo sangue, odiavam-se por competição.
Igreja rolava lágrimas em feridas assinadas por Corrupção.
E assim, a bondade dela foi sacrificada pela ambição
Do seu há muito perdido irmão.

3
Talvez fossem necessários, já que neles acreditaram.
Talvez fossem esperados, já que não os contestaram.
Talvez não fossem tão gémeos, mas degenerados.
Talvez não conquistassem mais, mas fossem conquistados.

Talvez um dia se virem um contra o outro,
Façam das suas diferenças um morto.
Talvez um dia não sejam tão siameses,
Odeiem-se um milhão de vezes.

Pois ela estará sempre errada
Na violência dele domesticada.