1
Sim, mundo,
Tomai nota que a ti não quero pertencer.
2
Não,
Não acredito na economia,
Não acredito na máquina,
Não acredito no trabalho.
Não acredito no capitalismo do tempo,
Não acredito na escravidão,
Não acredito em entregar-me à moeda,
Não acredito no valor que se dá às coisas.
Não acredito no deve ser,
Não acredito no tens que ser.
Não acredito na raridade da felicidade
Coexistente na vulgaridade do dinheiro.
Acredito em rasgar a nota
E nela fazer poesia.
Acredito nas minhas alucinações,
São mais verdadeiras que os vários pressupostos.
Acredito em perder-me
E esquecer que amanhã tenho de ser doutor,
Acredito em viajar
E esquecer que faltam trinta anos para a minha vida começar.
Acredito no puder ser,
Acredito no querer fazer.
Acredito na guerra contra o impossível
Coexistente na paz de saber que é possível.
3
Não, mundo, não te quero pertencer,
Quero que tenhas uma palavra a dizer.