Corpo Azul

O seu corpo azul, estimulado pela descoberta
Na cama que teci numa curta vida da treta
Pede-me que o explore com mãos que derretem,
Para que sejamos mais dois, que por fim se comprometem.

O verdadeiro matrimónio é que se dá nas camas,
Noites após noites, em quartos em chamas,
Um ritual secreto, para corpos de madeira
Que fudem dois cosmos de única possível maneira.

O seu corpo azul, tão grande como tem sido,
Reduzido às minhas mãos que o forram de tecido –
Aquele vermelho veludado de suor e tentação
Ornamentado pela poesia de não saber dizer que não.

Casados pelos seus sabores que tão bem conhecem,
E sem terceiros que à cama não pertencem,
Assim o mundo cabe num ser,
Numa tentação e num sem querer.