Esqueleto de Pensamento

O esqueleto do meu pensamento
Perdeu as articulações,
No cadáver mental que deteriora
O músculo desta geração. 

Espalhou-se pelos talões de consumo,
Pelo pó nos livros,
Pelas teias de poesia, nos cantos da casa,
E pelas arcas frigoríficas de auto estima em doses apocalípticas. 

Moldou-se no calcário do narcisismo,
Por tanto querer saber quais os mandamentos,
As premissas e as conclusões
Que tão secretamente aguentam os seus comportamentos.

E o que faz o esqueleto do meu pensamento,
Perdido a vaguear, sóbrio e escurecido,
No epicentro desta sórdida solidão
Que tão eloquentemente endoida esta geração?