Às Portas Do Paraíso

1
Um beijo onírico,
Um corpo lívido.
Sangue entristecido
Num rio ressequido.

Lágrima rubicunda
De melancolia imunda.
Morte coerciva
Por fragilidade permitida.

2
A minha mente fecha-se às portas do Paraíso,
E o meu submundo expõe-se num sorriso,
O Divino que me diz ‘’Não entras sem a verdade’’.
Penso ‘’Talvez não seja meu destino, a divindade.’’

Talvez a vida que escondi não deva morrer comigo,
Os meus desejos e ambições, ofereço-as a um amigo,
O expoente da minha loucura, que permaneça eterno
Nos sábios lábios do Deus que me desvia do Inferno.

O caminho que percorri na subida:
Um comprimido e uma bebida,
E um adeus aos segredos que mantive,
Um beijo de boa noite à verdade que não vive.

3
Vida mal vivida,
Agora oferecida.
Anjo vendedor
Deus comprador.

Inferno lotado,
Desejo e pecado.
Paraíso vazio,
Indesejado e frio.