A Criança que Deixou um Monstro Entrar

Era apenas uma criança que deixou um monstro entrar
Pois o mundo é um lugar assustador e ele não tinha com quem contar.
Na sua ausência de beleza encontrou companhia,
Dois seres solitários que fizeram da noite o dia.

Mas o vento medonho fechou todas as portas,
E todas as rosas oferecidas pelo monstro foram encontradas mortas.
A sua alma ao mar lançada,
Num fundo negro ancorada.
Sem como nem porquê, a criança abraçou a solidão que tanto conhecia,
E voltou à rotina que tanto temia.

Porque é que ninguém o avisou de que assim seria?
Porque é que ninguém o preveniu de que a vida um ciclo seria?

Hoje peço ao mundo para não ser tão cruel com o rapaz,
Nunca alguém acreditou no que era capaz.
Nunca alguém entendeu,
Tudo o que teve, perdeu.
E dos universos de sonhos que sonhou,
Apenas um contou.

E conta-o diariamente, na solidão do mundo:
Encontrar o seu monstro louco e moribundo.
E rezo para que, um dia, o consiga encontrar.
Afinal, sou apenas uma criança que deixou um universo entrar.