1
Na
astronomia do meu sonhar,
Vivi
equinócios infinitos de uma iludida felicidade.
Uma
vida para alguém lembrar,
Intensa
em tudo o que tem efemeridade.
Na astronomia do meu sonhar,
Fui Sol e fui Luar.
Mil vezes nasci sem morrer,
Um sonhador que limites não soube ver.
2
Estive
perdido numa sequencia de fibonacci,
Cego por sonhos matemáticos.
A minha vida pintada por DaVinci,
Tons prateados de cometas esporádicos.
Minha avó que me chamou o sonhador,
Era Deus na alvorada do meu tímido esplendor.
A voz insana de uma moral que há muito perdi,
E eu era dono de um corpo que nunca vi.
Os arquitetos das ruas usaram o céu como cimento
E a guerra era um conto de triste luxúria e ostento.
Fui grande, mãe, como fui grande quando sonhei!
A solidão não foi mais o que respirei.
Embora saiba que na realidade não compreenderão
Que a liberdade de ser magoado é tudo o que terão,
E que a rítmica de uma alma que nunca sofre
É silêncio de um vácuo de abandonado cofre.
Chuvas puras sobre edifícios dourados,
Sapatos caros em pavimentos desenhados,
Com fábulas verdadeiras de uma realidade inocente,
Um mundo onde não fui triste nem demente.
3
Acordado, sou a criança que beija o espelho,
Preso em ordens e comandos, sou aparelho.
Uma maquinaria bruta sem astros,
Num naufrágio sem mastros.
Na fisionomia do meu acordar,
Sou esqueleto de vontade de sonhar.
Mil vezes morro sem nascer,
Eterno sonhador numa realidade que é anoitecer.