1
Empoleirado no alto
da vida,
Balanço como uma
criança que quer voar.
Virgem de existência
não vivida,
Pois tudo o que sempre
fiz foi sonhar.
2
Vendi todas as
verdades que me disseram,
E fortunas fiz com as
alegrias que me trouxeram.
Fiz-me rei duma
Babilónia só para mim,
Um reino para quem não viu um sim.
Fomos renegados na
realidade,
Sonhadores de divindade.
Viajantes de rádio
ligado,
Num conto nunca antes
contado.
Ofereci tudo o que
alguma vez me ensinaram,
Mas carrego mil
histórias que me contaram,
Invejo-lhes a vida,
invejo-lhes o autêntico.
Invejo-lhes a
experiência, invejo-lhes excêntrico.
Mas sou uma ainda curta vida,
Com um longo sonhar,
Numa viagem só de ida,
Com verdades por
pagar.
3
Empoleirado no alto
da vida,
Quieto-me como
criança que não sabe nadar.
Salto para um oceano que
torno bebida,
E tudo o que faço é
sonhar.