Uma espécie de Walt Kerouac

1
Pela estrada fora, carrego o meu peso,
Não sou nada mais que um Whitman sem norte,
Um vagabundo que quer sair ileso,
Do crime social de não desejar ter sorte.

2
Não desejo as estrelas alinhadas por mim,
(A sua beleza disforme é fortuna por si)
Desejo-me sim perto do seu calor desconhecido
Na terra prometida a um desnorteado e perdido;

Desejo a eletricidade de duas mentes,
Em corpos feitos para se desejarem no esqueleto do mundo;
Desejo sabedoria entre os meus dentes,
Fumar o conhecimento de Kerouac, pulmões a fundo.

Desejo a linguagem da contínua curiosidade nómada,
E a rebelião de um índio, cocar na cabeça de anjo;
Desejo uma aventura de deuses, hipsters e hippies de vontade inócua,
Correr pela estrada, quando o Sol cessa o dia, dando no horizonte o beijo.

Desejo ser o vendedor ambulante, paradigma da genuinidade,
Ganhar dinheiro para viver, e viver para conhecer,
Oferecer orgulho aos ídolos da liberdade,
Ser livre por saber ser.

Conduzir sem o saber fazer, mas fazê-lo enfim,
Porque a distância é longa e o mundo é um esplêndido lugar para se visitar.
Rasgar o veludo do meu coração e cozê-lo de cetim,
Para que, como o passarinho que dizem que sou, saber voar.

3
O meu peso, levo pela estrada fora,
Caneta na mão, poesia no olhar.
Rasgo a identificação e vou-me embora,
As justificações ficaram por dar.