1
Pela estrada fora,
carrego o meu peso,
Não sou nada mais que
um Whitman sem norte,
Um vagabundo que quer
sair ileso,
Do crime social de
não desejar ter sorte.
2
Não desejo as
estrelas alinhadas por mim,
(A sua beleza
disforme é fortuna por si)
Desejo-me sim perto
do seu calor desconhecido
Na terra prometida a
um desnorteado e perdido;
Desejo a eletricidade
de duas mentes,
Em corpos feitos para
se desejarem no esqueleto do mundo;
Desejo sabedoria
entre os meus dentes,
Fumar o conhecimento
de Kerouac, pulmões a fundo.
Desejo a linguagem da
contínua curiosidade nómada,
E a rebelião de um índio,
cocar na cabeça de anjo;
Desejo uma aventura
de deuses, hipsters e hippies de vontade inócua,
Correr pela estrada, quando
o Sol cessa o dia, dando no horizonte o beijo.
Desejo ser o vendedor
ambulante, paradigma da genuinidade,
Ganhar dinheiro para
viver, e viver para conhecer,
Oferecer orgulho aos ídolos
da liberdade,
Ser livre por saber
ser.
Conduzir sem o saber
fazer, mas fazê-lo enfim,
Porque a distância é
longa e o mundo é um esplêndido lugar para se visitar.
Rasgar o veludo do
meu coração e cozê-lo de cetim,
Para que, como o passarinho
que dizem que sou, saber voar.
3
O meu peso, levo pela
estrada fora,
Caneta na mão, poesia
no olhar.
Rasgo a identificação
e vou-me embora,
As justificações ficaram
por dar.