violetas e túlipas

Confundia-se nas violetas e túlipas dos jardins da cidade,
Mas era apenas um rapaz com ódio e promiscuidade.
O seu cabelo era azul no Sol que renegava o negro,
E preto na noite da capital, que era amante do medo.

Na aliança da boa música com o psicadélico do bar,
Esvaziava maços de tabaco que lhe custavam o ar.
A tinta nas suas mãos cruzava-se na hora de rezar
E a poesia da sua mente cantava um passado por apagar.

Fechava-se no seu mundo que ela tanto tentava desvendar,
E vendia-lhe a sua arte a um preço que ela não podia pagar.
E, assim, nas dívidas consumidas pelo seu eterno desesperar,
Ela cegava-se pelas violetas e túlipas que não o deixam desmascarar.

No Verão, era um calor em tons de glória,
Um íman viciado preso numa memória.
Porém, um amor que nunca era o bastante
Para derreter o gelo do proclamado amante.

O Inverno chegou e congelou o seu jardim de mentiras,
Do gelo quebrado sobraram armas apontadas com miras,
Uma silhueta pantanosa que há muito envenenaram.
E das violetas e túlipas, só os tons de negro sobraram.  

Ela pegou num pouco na memória de Verão
E espalhou sementes perdidas pelo chão.
Foram lágrimas que floriram pelos jardins da cidade
Um rapaz que vivia pelo amor e cumplicidade.