Não há Verão para um Inverno como eu.
Um Inverno que perdeu tudo.
Um Inverno sem destino.
Um Inverno desnorteado de tanto procurar o seu norte.
Um Inverno que sonhou em ser um músico lendário,
E que cantou até o seu sonho ser a lenda, e não a realidade.
Um Inverno que desejou às estrelas que morriam, sem o saber,
Que dessem ao caminho certo uma oportunidade de ser
percorrido.
Um Inverno que, pelas escolhas erradas, foi a sombra de um
Verão,
Uma memória de uma vida nunca vivida, numa companhia que não
conheceu.
Um Inverno que
adormecia todas as noites a sonhar com imagens de si mesmo
A dançar e a sorrir selvaticamente com a insanidade de
amigos Invernos.
Um Inverno solitário.
Um Inverno sonhador.
Um Inverno eternamente perdido, e eternamente perdedor.
Um Inverno sem solstício.
Não há Verão para um Inverno como eu.
Um Inverno que deseja o mundo.
Um Inverno irracional.
Um Inverno poeta.