As mil vidas que levo,
Levo-as na asa d’um avião.
Levo-as numa maleta de mão.
Levo-as numa estrada sem pontuação.
As mil vidas que levo,
Levo-as no universo do afeiçoar,
Levo-as no mercúrio de querer ficar,
Levo-as nos satélites de nunca estar.
As mil vidas que levo,
Levo-as debaixo de um braço cansado,
Onde cubro amargura com o legado
Do meu avô, no casaco que me foi deixado.