Mulher

1
É difícil dizer de onde veio,
Pois não souberam celebrar o seu nascimento.
Igualmente, ignoraram o seu arrastão de cueiro,
E repudiaram-na no seu primeiro escoamento. 

Contudo, por medo ou razão, 
Bendisseram a sua boa forma de silhueta, 
Agradeceram a utilidade da sua mão,
E perverteram-se pela sua inocência. 

Ainda crendo-a inferior,
Casaram-na com tudo o que não sabiam fazer,
Amainaram a tempestade do seu interior,
E espancaram a sua capacidade de conhecer.

Foi a primeira delas todas,
Mas com a qual o ciclo fatalmente viciou,
Afogaram a sua mente brilhante em sombras,
E a Mulher por séculos não falou. 

2
Acudia por ajuda nos vestidos apertados,
Nos alfabetos não aprendidos e na pele maltratada.
Viu o seu poder de marchar de canhões apontados
Encurralado no músculo de uma mão levantada. 

Mas nem assim deixou de ter pensamentos enfeitiçados,
E nos gritos que gritou, ergueu-se uma armada,
Dentro de si tinha milhões de brilhantismos desprezados.
Fazia braço de ferro com uma mente empoderada.

Tal como a sua mãe, que tinha na cabeça uma arma,
No olhar a verdade e uma cura na sua alma.
Mas mesmo sendo irmã de quem tantas vezes a matou,
Não reconhecia esse ser que a sua luz levou. 

Pois foi a Mulher Natureza que lhes deu ventre e comer,
Abusada pelo Homem que a engolia sem dever.
E perguntava-se agora, como lhe pode ele bater
Se também de uma mulher foi ele nascer?