1
Meu perfeito
solitário,
Escreve a obra do meu
diário,
Uma história minha em
cada dedo teu,
Cada Verão teu, um
amanhecer meu.
O natural jazz do meu
ser
Dança no delírio do
teu endoidecer,
Circunda, em
melodias, a tua metafísica
Perdendo-se na tua
proximidade tísica.
2
Querer compensar toda
essa felicidade que me dás em poesia,
Oferecer-te um
casamento de palavras no expoente da nossa euforia.
Reservar um espaço na
obra de Whitman para nos cantar,
Como os anjos da
loucura divina, caídos pelo pecado de amar.
Aceita este escritor
imaginário,
Que vive o seu mundo
ao contrário,
De arma e caneta na
mão,
Um escravo que sonha
ser barão.
O sorriso que nasce
num horizonte intergaláctico,
Flutua, sem
gravidade, na silhueta do teu calor magmático.
É matéria rochosa
esse teu descontrolado amor,
Que é comandado pela
Terra, pela física do calor.
Aceito a falta de
planos,
O construir de
longos anos,
O abandonar da cidade,
Na demanda da
liberdade.
3
Meu perfeito
apaixonado,
De rosa na mão, discurso afirmado –
Como me conheces sem
conhecer,
Dá-me a fala para te
fazer ver.
Mente excêntrica em corpo divino,
Alma glacial de
bronze albino,
Às portas do teu
paraíso, espero acordado,
Por um amor de
criança em armas de soldado.