Estava perdido e pedia que nunca me deixassem
Por dentro de mim rolavam sete e outros mares,
Que oscilavam indestintamente sem me dar conta
E pediam-me que me trasformasse a cada dia.
Fui um camaleão por anos em longas estradas.
Procurava uma cura a uma loucura que sentia ter.
Loucura de por um pé numa rua e outro na partida,
Loucura de olhar para um rosto e sorrir em despedida.
Loucura de abrir um futuro e viver no passado,
Loucura de ser séculos de história num corpo lavado.
Loucura de incendiar tábuas de valores com filosofias inventadas,
E apagar as chamas com cuspo de poesias cantadas.
Loucura de ser adolescente no mundo adulto,
Pagar renda de uma casa para acolher um culto.
Loucura de viver mais rápido que a minha idade permite,
Loucura de viver de cantar na rua e ser pedinte.
Loucura de ser visionário num mundo feito de papel,
Loucura de comprar o mundo com um lápis e um pincel.
Loucura de beijar estranhos acorrentados,
Fazer amigos e amores por ideais amados.
Loucura de falar na varanda lá para baixo,
Ouvirem-me cantar e aplaudirem o bom gosto.
Canto agora que loucura esta não doença.
É crença.
É levar na rua o coração na mão.
Loucura esta que é solidão.